O mundo cultural e teatral portugués solidarízase con Carlos Santiago

Máis dun cento de personalidades do teatro e, en xeral, da cultura de Portugal fixo público un comunicado no que manifestan a súa solidariedade con Carlos Santiago tras os ataques do que está sendo obxecto despois de protagonizar o pregón de antroido, no que representou un dos seus personaxes máis populares, o propio apóstolo Santiago.

O documento fai alusión aos numerosos vínculos profesionais que Santiago mantén con Portugal, “Carlos Santiago é estimado em Portugal, não por dizer ou expressar o que os portugueses querem, mas por ter um pensamento próprio que dignifica os seres humanos” e denúnciase “uma campanha medieval de perseguição perpetrada por novos tribunais do Santo Ofício cobardemente disfarçados de um carnaval vingativo que deseja vingar-se politicamente do dramaturgo com argumentos moralistas e com falsidades ignóbeis”.

O manifesto, que reproducimos a continuación, segue recollendo sinaturas.

 

Do mundo cultural e  e teatral português solidariedade com Carlos Santiago

Uma cruzada político-religiosa na Galiza e na Espanha quer crucificar o dramaturgo e encenador galego Carlos Santiago, como seu herege infiel

Carlos Santiago foi escolhido para interpretar humoristicamente o tradicional “pregão do entrudo” em Santiago de Compostela no dia 10 de Fevereiro de 2018.

É intolerável a cruzada da nova inquisição que, depois desse momento, se tem abarricado contra o pensamento livre de um cidadão fraternal e socialmente interventivo, dramaturgo e homem do teatro.

Associamo-nos a todos quantos sabem o valor da liberdade de expressão, o pensamento livre e ao exercício artístico sem mordaças.

Carlos Santiago é estimado em Portugal, não por dizer ou expressar o que os portugueses querem, mas por ter um pensamento próprio que dignifica os seres humanos.

Carlos Santiago não é uma marioneta do poder instituído, mas um artista que cumpre a sua mais nobre função: expressar publicamente as interrogações e inquietações sobre o que socialmente o inquieta.

Carlos Santiago é um dramaturgo que utiliza o humor como forma superior de reflexão humana. São muitos os espetáculos de grupos portugueses que ele dirigiu que revelam esse seu talento.

Carlos Santiago é um cidadão respeitador da liberdade que é consignada na Declaração Universal dos Direitos humanos, nomeadamente no seu artº 19º: “Todo o indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. O Artº 10ª da Constituição de Espanha consigna este direito: “Las normas relativas a los derechos fundamentales y a las libertades que la Constitución reconoce se interpretarán de conformidad con la Declaración Universal de Derechos Humanos y los tratados y acuerdos internacionales sobre las mismas materias ratificados por España.”

Brincamos a quê? Um laico não pode ser livre de expor as suas ideias? Uma nova cruzada quer crucificar um demónio infiel?

Carlos Santiago é, por natureza do seu carácter, um rei do entrudo, manifestação que, para bem da humanidade, não obriga a seguir a “voz do dono” nem as amarras de qualquer poder.

Carlos Santiago é vítima de uma campanha medieval de perseguição perpetrada por novos tribunais do Santo Ofício cobardemente disfarçados de um carnaval vingativo que deseja vingar-se politicamente do dramaturgo com argumentos moralistas e com falsidades ignóbeis.

Por cada acólito que adere à campanha de mentiras e a calúnias contra Carlos Santiago, mil vozes respeitarão o dramaturgo pela sua coragem de prestar um inegável serviço contra a “caça às bruxas” que, a qualquer momento, pode fazer de cada um de nós um inimigo público quando expressamos opiniões distintas às hienas duma moralidade hipócrita.

Mais do que estar solidário com Carlos Santiago, importa afirmar o direito à liberdade de expressão e desmascarar uma estratégia política-religiosa ditatorial que quer crucificar quem não segue o seu ku klux klanismo. Perante estas novas cruzes gamadas, qualquer um de nós é Carlos Santiago, pela ameaça que representam para a liberdade de expressão e direito a exprimirmos a nossa opinião.

Do mundo cultural e teatral português, o nosso apoio e solidariedade com ele.

 

Em Portugal, a 19 de Fevereiro de 2018

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