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Estampa de Circo. 1974. Luís Seoane

Francisco Pillado Maior e o teatro

Non son as cousas nin os bens materiais o que permanece, son os feitos e os bens inmateriais. “Car la mort et les choses sont liées, car la mort e la matière morte ne font qu’un: comme le dit si magnifiquement Bossuet: Tout ce qui se mesure périt”, como escribe o dramaturgo Valère Novarina (Porque a morte e as cousas están ligadas, porque a morte e a materia morta son unha, como o di magnificamente Bossuet: Todo o que se mesura perece). O que quero compartir aquí non se pode medir, nin pertence ao ámbito do que caduca, do que se compra ou do que se vende, vai alén das modas e das tendencias. Quero tentar describir o legado vital que nos deixa un ser excepcional, con quen tiven a sorte de compartir algunhas teimas e algúns momentos inesquecíbeis. Trátase de Francisco Pillado Maior (1941-2021).

Discurso sobre o filho-da-puta. Teatro da Rainha. Foto de Paulo Nuno Silva

Discurso sobre o filho-da-puta

A congregação teatral na qual participamos ajuda-nos, com humor e sarcasmo, não só a reconhecer as diversas feições do filho-da-puta, mas também a ficar mais cientes doutras, das quais, se calhar, ainda não tínhamos notícia. Aliás, até colabora em nos fazer duvidar se esse nosso apreço pelas preocupações da vida, ou, às vezes, a aceitação do sacrifício, não será um sintoma do vírus.

Multitarefa

A cuestión é que ningún profesional das artes escénicas, en Galiza, pode conseguir que o seu traballo funcione limitándose ás competencias exclusivas do seu perfil laboral e a un horario xusto.

Molly Bloom

Molly Bloom

Um dos feitos da revolução feminista foi tirar a mulher do âmbito restrito do doméstico e fazer com que ocupasse lugares públicos, na ciência, na política, nos âmbitos académicos e do trabalho. Até nas artes, as mulheres ocupavam um lugar secundário, pensemos, por exemplo, na história do teatro e no escasso rol de encenadoras, no que diz respeito ao cânone de encenadores que marcaram tendência. Um facto está relacionado com o outro. Neste sentido, a personagem de Molly Bloom, no último capítulo do Ulisses (1922) de James Joyce, intitulado “Penélope”, acomete uma transgressão.

Duas personagens

Duas personagens

Em Duas personagens, este espetador esteve a confundir, por momentos, no jogo meta teatral, as atrizes com as personagens. Ora parecia que a Carla e a Sara nos estavam a olhar e a falar, diretamente, a nós, como público. Ora parecia que duas personagens estavam a levar-nos pelos quintais oníricos da ficção. E esse jeito de ambiguidade ou confusão produzia uma inquietação muito cativante.

Maria Callas

Maria Callas: Lettres et mémoires

O gancho deste espetáculo é, sem dúvida, a reunião de dois mitos, duas vedetas, Maria Callas e Monica Belluci, também o Tom Volf, diretor de cinema especialista na biografia da Callas. De facto, o Volf é o autor do filme Maria by Callas, estreado em 45 países em 2018, e do livro que leva o mesmo título do espetáculo, Maria Callas. Lettres et mémoires.

Corpo

Corpo suspenso / Um gajo nunca mais é a mesma coisa

Para quem escreve, e certamente também para quem lê, as guerras, afortunadamente, ficam longe. As contendas bélicas são um evento económico e político, antes do que humano, que fica como pano de fundo nos telejornais ou pertence aos livros de história. Porém, em Portugal e também no Estado espanhol, há guerras que deixaram rastos vivos na genética da população. No Estado espanhol continua a haver conflitos com o cumprimento da Lei da Memória Histórica e com a restituição da justiça. Um exemplo claro é que em 2021 ainda não se conseguiram recuperar os restos de Federico García Lorca, assassinado pela Ditadura por causa das suas ideias políticas de esquerda, contrárias ao regime, e pela sua homossexualidade manifesta. Por outra parte, temos partidos de ultradireita que já entraram nas instituições públicas de governo, que reivindicam e coincidem em muitos aspetos com as linhas ideológicas da Ditadura franquista, partidos que representam uma parte da população atual.

Festivais

Entre festivais: Cangas, Almada e Ribadavia

O verán chegou e con el os festivais de artes escénicas. Neste mes, ademais do traballo escolar que, para algúns docentes, non remata, como quen di, até agosto, súmanse os festivais, facendo do período estival un dos máis intensos. Isto para quen, coma min, traballa sobre a enxeñaría das artes escénicas, a dramaturxia, como docente e investigador, e para quen, ademais, gusta e necesita dos desafíos que nos colocan os espectáculos.

Quem matou o meu pai

Quem matou o meu pai

Nessa mesma linha está o texto Quem matou o meu pai do escritor francês Édouard Louis, um rapaz que não chega aos trinta anos, e que escreve, da própria experiência biográfica, sobre o classismo encoberto e a injustiça social, geralmente aceite no denominado primeiro mundo. Na adaptação do prestigioso encenador belga Ivo van Hove, o texto do romance torna-se num monólogo povoado de diálogos para o público, como amigo cúmplice ou mesmo como pai, mudando a voz emissora também para esse mesmo pai presente e ausente ao mesmo tempo. Um pai que olha para o seu filho homossexual, com um amor pálido e com desprezo. Uma mistura que o prodigioso ator Hans Kesting é capaz de transmitir dum modo profundamente impactante e esmagador.

Omma

Omma

Os oito bailarinos africanos de Omma do Josef Nadj congregam os seus oito fôlegos numa reunião com muita terra e muita raiz. Tanta quanto poderiam até figurar um ajuntamento de deuses dançantes. Mas não são deuses, são homens que gritam, que cantam, que se agitam aos ritmos arcaicos de possíveis rituais. Homens negros de fato preto que despem o seu ser no estar dançante.

Maricón

Maricón. No 21 do XXI e no 101

Maricón non debería ser un insulto nin unha sentenza de morte, como aconteceu hai uns días na Coruña e como leva acontecendo desde hai moito tempo. Estamos no ano 21 do século XXI e os discursos da ultradereita animan e alimentan a xenofobia, o machismo, a homofobia e outros xeitos de odio e terror. A educación, os escenarios, o cinema, a televisión… seguen a difundir e facer proselitismo, encuberto ou non, da norma heterosexual e da superioridade do home e do masculino e iso acaba por ter consecuencias.

Viaxe á lúa

Viaxe á lúa

Voadora e a súa directora Marta Pazos, que estudou Belas Artes en Barcelona, foron convidadas para dirixir a última montaxe de IT Teatre (a compañía do Institut del Teatre, creada para facilitar a inserción laboral das persoas que se gradúan nese centro formativo). En coprodución co Teatre Lliure, onde se estreou o 3 de febreiro de 2021, realizaron a primeira escenificación de Viaje a la luna, o único guión de cinema de Federico García Lorca, escrito durante a súa estadía en Nova York en 1929, como resposta a Un chien andalou de Buñuel e Dalí.

Xosé Manuel Pazos

Grande homenaxe ao grande Xosé Manuel Pazos

A XXXVIII Mostra Internacional de Teatro Cómico e Festivo de Cangas do Morrazo, a MITCF, abriu o 1 de xullo co acto de homenaxe a Xosé Manuel Pazos Varela. Foi no Auditorio Municipal que, segundo confirmou a Concelleira de Cultura, Aurora Prieto, nun emocionado discurso de louvanza á figura de Pazos, vai levar o nome do dramaturgo que impulsou a súa construción. Moitas das iniciativas culturais fundamentais da capital do Morrazo, con repercusión alén do ámbito local, debéronse ao impulso de Xosé Manuel, como é a propia Mostra de Teatro, que cumpre 38 anos, organizada pola Asociación Xiria, da que el foi un dos fundadores e principais valedores, tamén a erregueté I Revista Galega de Teatro e moitas outras actividades nas que o teatro era central.

Escenarios

Diversidade. Escenarios | Palcos LGTBIQ+

Na erregueté I Revista Galega de Teatro non só nos declaramos abertamente feministas, senón que tamén queremos abrir un espazo especial para apoiar, visibilizar e analizar as miradas e as sensibilidades lésbicas, gais, transexuais, intersexuais, queer (LGTBIQ+) desde as artes escénicas.

Maria a Mãe

Maria, a Mãe

Maria, a Mãe é uma peça provocadora e desassossegadora sobre a família. Uma espécie de mito pop desmitificador, numa atmosfera teatral entre o onírico e a comicidade de um absurdo subtil, de tons lutuosos. Uma encenação, umas personagens, uma história, um humor… singulares, difíceis de definir, fora do comum.

Canseira

Canseira

Para o sector da danza, do circo, do teatro, sacar adiante unha produción e logo conseguir que chegue ao público, que se programe, se difunda e teña algunha repercusión, resultan un labor titánico. Ou un castigo, como o de Sísifo, veña a empurrar costa arriba. Un sector que sobrevive grazas á autoexplotación, ao voluntariado, ao feito de facer varios traballos etc. De feito, a maioría das compañías de Galiza están formadas por parellas ou núcleos familiares, que garantan, alén do entendemento que se lles presupón, a explotación.

FITEI

FITEI o Porto

Na Galiza, e se calhar também em Portugal, fitar equivale a fixar a vista em. O teatro sempre tentou fazer-nos fitar aquilo que muitas vezes não vemos ou só olhamos sem muita atenção. Há cidades, como o Porto, com uma oferta cultural e artística convidativa neste sentido. No fim de semana do 7 de maio estive no 44 FITEI do Porto.

Distancia e proxemia

Distancia social vs. Distancia sanitaria

Non obstante, o tecnicismo “distancia social”, dos estudos de “proxémica”, difundido a nivel xeral, fóra dese ámbito restrinxido, préstase a esoutra interpretación lóxica. “Distancia social” establece aí unha idea subrepticia de illamento sen matices. Unha separación obrigada, triste e pouco saudábel.

Ofendiditos

Entre grupis e ofendiditos

Os “ofendiditos” son seres de pel fina que se rexen aínda máis, se cabe, polas emocións. Tamén son herdeiros daquel vello valor da honra, como nas pezas do Século de Ouro español. Cómpre ter moito coidado co que digas porque pode ser que, sen querelo, lles firas a honra e iso nunca cho van perdoar (á honra chámanlle sensibilidade). A emoción do rancor e do despeito van ficar ben custodiadas e xustificadas na súa sensible persoa como coartada de ninguneo, como mínimo, ou de ataque como restitución da honra danada.

Bailas e faisme libre, caligrama de Uxío Novoneyra

Bailas e faisme libre

O 29 de abril, Día Internacional da Danza, faise especialmente indicado para a nosa contorna, na que esta arte segue a estar marxinada respecto ás outras, como demostrou o último informe, en materia de artes escénicas, do Consello da Cultura Galega. Do último ano do que se teñen datos completos, o 2018, a programación de espectáculos de danza en Galiza foi tan só do 6%.

A primavera o sangue altera

A primavera o sangue altera

Será certo iso de que a primavera o sangue altera? Acertará a propia alteración, en hipérbato, da orde común desta frase respecto ao excepcional que anuncia? Desde logo, os poles fecundan o ar e moitas aves andan tamén en cerimonia de cortexo e creatividade.

Illas desertas

Illas desertas

Unha peza literalmente fantástica. Non só polas súas formulacións utópicas respecto a unha vida menos produtiva e máis aventureira e amorosa coa natureza que nos acubilla, senón tamén, fantástica, polas imaxes oníricas e pola interacción humana e tecnolóxica con nós.

Colectivo Glovo

EM·NA

EM·NA é a segunda peza do Colectivo Glovo de Lugo, formado por Esther Latorre (Lugo, 1990) e Hugo Pereira (Porto, 1994). Estreouse no Teatro Ensalle de Vigo, dentro do Festival Isto Ferve, o 26 de marzo de 2021, e puido verse tamén, nesa fin de semana, o 27 e o 28. EM·NA estivo en residencia na sala viguesa, onde Pedro Fresneda incorporou a acción lumínica. Un deseño de luz que redondea e amplifica aínda máis ese sentido dramatúrxico relacionado coa vibración e pulsado pola coreografía e polo envolvente espazo sonoro, que xera a música de BabyKatze.

Teatro es ti

Teatro… es ti

“O teatro é unha arte milenaria e resistente. Resistiu as Guerras Mundiais, resiste os gobernos que tentan retirarlle os medios e os espazos, resiste os poderes que o censuran. Non hai quen esgane nin afogue o teatro. El sempre vai estar aí porque é connatural ao ser humano. Isto é incontestable e sinto poñerme así de taxativo, pero é. Non hai civilización humana sen teatro e canto menos teatro, menos civilización e menos humanidade”, afirma Afonso Becerra no seu artigo de opinión quincenal con motivo da celebración do Día Mundial do Teatro 2021.

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