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Iribarne

Who the fuck is Iribarne?

Foto: Geraldine Leloutre
Foto: Geraldine Leloutre

Who the fuck is Iribarne? Pida o reembolso do bilhete se nom se contestou à pergunta ao remate do espetáculo. Assim começa este documentário de 3 horas. Pero nom é um biopic.

Esta peça é um diálogo entre dona Esther e dom Manuel. Desde o começo da obra temos a Carrodeguas como mestra de cerimónias. Nom sei quanto conhecem esta artista em Madrid, mas aqui na Galiza esta artista como mestra de cerimónias nom é nada novo, é já algo estabelecido, umha marca de identidade e estilo até. Vem-nos à mente o Torneo de Dramturxia de Galicia na MITCFC ou o espetáculo #Camiños. Ela co microfone remete-nos a ela como apresentadora, como narradora, como umha contadora de histórias que leva ao público da mao para ajudar-lhe a percorrer o caminho da obra, para descobrir a História.

Fraga, Fraga, Fraga, Fraga e Fraga. Cinco Iribarnes (vale, nom, falta-me um, pero desse falamos logo). Quando alguém pom os tirantes espanhóis é Fraga. A convençom está estabelecida. Um personagem coral vai passando polas distintas etapas da História de esta España nuestra. Quem caralho é Fraga? Um personagem misterioso que está em cada umha das atrizes desta peça. Um homem ao que lhe faziam bullying de pequeno, antes de chegar esta palavra à Galiza. Pero com todo, apesar de passá-lo tam mal, um homem que consegue ser ministro do governo de dom Francisco Franco Bahamonde. No 1962, Dom Manuel Fraga Iribarne é nomeado Ministro de Censura, Propaganda e Turismo, o encarregado de lavar a imagem da ditadura. E seguiu branqueando o sistema até a sua morte para que sua nai se sentisse orgulhosa del, esse foi o seu cometido na vida. Umha história preciosa.

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O fundador de Alianza Popular, antecessora do atual Partido Popular, dom Manuel Fraga Iribarne, era um ministro da ditadura franquista. O fundador dum dos principais partidos do sistema político espanhol atual assinou sentenças de morte. E com todo, temos empatia por el e figemos-lhe um funeral com todos os honores. Avisam-no-lo na obra. Avisam-nos que nos vam fazer sentir empatia por este franquista na última escena, quando seja um velho a ponto de morrer. Avisam-nos para que nessa última escena lembremos esse aviso que nos dêrom umhas escenas atrás, desativando assim a empatia.

A obra divide-se em três episódios: nascimento, vida e morte de Fraga – juventude, etapa franquista e etapa galega (mais ou menos). Nos dous primeiros episódios, Fraga passa dumha atriz a outra com esse jogo cos tirantes e o resto da equipa interpreta ao resto de personagens, que, ao igual que Fraga, som imitaçons paródicas de personagens reais (depois falamos de Franco). No terceiro episódio continua este jogo, mas entra um novo Fraga em escena, que é o Fraga que consegue ser Emperador das Galicias, e fica até o final, nom cambia mais de atriz. Este sexto Iribarne é a própria Esther (perdom polo cacho spoiler que vos acabo de fazer). Este Emperador já nom é umha imitaçom paródica de Fraga, Carrodeguas nom imita os gestos e a forma de falar de Fraga como fazia o resto do elenco. E segue co micro na mao. Este Emperador é umha simbiose entre a dramaturga demiurga e o presidente pós-franquista, a culminaçom do diálogo que se estabeleceu co público desde o começo.

Bem, falemos do humor, e de Franco. No artigo que escrevera de 32m2 definira assim a estética de ButacaZero: “questionam através dumha história fictícia o relato criado em torno a umha história real e usam umha estética que combina as formas populares galegas coas linguagens escénicas contemporâneas”. Sigo-o mantendo, e engado: “através do humor”. Mas que humor se utiliza nesta peça? O humor consegue que as 3 horas se nos fagam amenas. O ritmo está mui bem conseguido, sim. No momento da bandeira, e nalguns outros, escaralhei-me de risa (nom o vou explicar, ide ver a obra, que nom vos vou fazer spoiler de todo). Pero igual algum recurso humorístico podemos questioná-lo, nom?

Franco marica, Paquita. Franco travestido, parece a sua mulher em vez del. Estivem-lhe dando voltas a isto, e até o falei cum amigo para comentar-lho. Este amigo pensava coma mim, e ajudou-me a desenvolver o que estava pensando (obrigade, Xandre).

Partimos dum dato real: Franco tinha certo amaneiramento e isto tem sido motivo de burla, esta sátira nom a inventou ButacaZero. Mas, o que fijo ButacaZero, no ano 2023, é trasladar esta sátira ao palco, exagerando-a até, acriticamente. Como recurso cómico funciona, claro, para a gente cishetero, eu nom rim. Há muitas cousas polas que ridiculizar a um ditador fascista, por suposto. A questom é que se ti usas a ridiculizaçom da feminidade estás dando a entender ao público a feminidade num homem como algo humilhante, algo do que burlar-se, polo que nom deixa de ser um recurso homofóbico. E é um recurso que está mui instaurado. Constantemente vemos imagens como Putin pintado de drag. É o mesmo. Usa-se homofobia contra umha merda de pessoa, sim, pero nom deixa de ser homofobia. Igual temos que (re)pensar um pouco o humor.

Deixo muitíssimas cousas das que falar, sei. Isto tem um limite e a obra dura 3 horas e 89 anos. Discutimos à saída dos teatros.

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Iribarne, do Centro Dramático Nacional, ButacaZero e a MIT de Ribadavia

Texto: Esther F. Carrodeguas

Direçom: Xavier Castiñeira

Reparto: Xurxo Cortázar, Jorge de Arcos, Esther F. Carrodeguas, Mónica García, Anxo Outumuro e Lidia Veiga

Espaço escénico: Xavier Castiñeira e Diego Valeiras

Iluminaçom: Diego Vilar – Equipo Creativo RTA

Vestiário: Diego Valeiras

Música e espaço sonoro: Berto

Audiovisuais: Pablo Fontenla

Editor FX: Antón Miranda

Coreografia e ajudante de direçom: Sabela Domínguez

Segundo ajudante de direçom: Antonio C. Guijosa

Produçom: Esther F. Carrodeguas e Juancho Gianzo

Assistência Técnica: Recursos Técnicos Artísticos (RTA)

Entrevistas: Inma López Silva y Pablo Fontenla

Imagens de arquivo: RTVE

Fotografia: Geraldine Leloutre

Trailer: Bárbara Sánchez Palomero

Desenho de cartaz: Equipo SOPA

Vista o 5 de novembro de 2023 no Teatro Valle Inclán de Madrid.

ê Ariel Q. Sesar

ê Ariel Q. Sesar

Ê Ariel Q. Sesar (esse "ê" é um artigo), pessoa de género incerto. Frequentei as aulas de Dramaturgia na ESADg, embora nunca chegasse a rematar os estudos. Agora frequento aulas de Ciências da Linguagem na UVigo. Escrevo dende a dissidência. Identifico-me e defino-me como dissidente na arte, na língua, no género e na vida.

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