À saída do teatro, estando num café tomando algo, falava co companheiro co que fum ver a obra da dicotomia ciências/letras e até da filosofia da ciência. Ao dia seguinte, estivem falando cum amigo matemático, que me explicou algumhas referências da obra, e acabamos também falando do mesmo. Em 4º da ESO escolhim por primeira vez estudar ciências e no bacharelato fum por ciências técnicas. Logo metim‑me no teatro e mais tarde acabei estudando umha carreira e um mestrado de filologia, mas sigo adorando as matemáticas.
A história começa cumha rapaza abrindo umha serie no Tiktok, a rede social por excelência da geraçom Z, mentres tinha que estar estudando umha serie de datos para um exame de história. Por suposto, estou de acordo coa reflexom de Alicia a respeito de como se ensina a história. Para mim, nom teria sentido pedir‑lhe ao meu alunado que analise umha obra literária sem relacioná‑la co contexto. Insisto‑lhes sempre em que relacionem a obra co contexto no que foi escrita e que respondam a por que se escreveu e que discurso há detrás da obra. O mesmo ocorre cos acontecimentos históricos, realmente é mais importante saber por que ocorrêrom os feitos ca aprender os nomes dos reis. Sobre todo, para que nom se repitam esses feitos.
Esta reflexom inicial nom é trivial. Alicia desenvolve isto mediante a ideia da fita de Moebius, umha fita dumha soa cara na que dá igual que sentido sigas que acabarás de novo no mesmo ponto. Isso é a história, por desgraça, e agora mesmo semelha estarmos na parte conservadora da fita. Mais adiante mostra‑se‑nos isto, o presente. Ao mesmo tempo que Alicia explica nos seus vídeos conceitos matemáticos e relaciona‑os coa realidade social (a fita de Moebius, o algoritmo, a esfera e a machosfera, os conjuntos clopen e as fronteiras), ao fazermos scroll saem‑nos vídeos de gente que promove o fascismo, nom só de forma explícita, senom também implicitamente a través dumha estética conservadora que introduz umha mensagem subliminar na juventude mui perigosa.
Ligando com isto, que estética tem A serie clopen? Pido-lhe ao meu alunado de literatura que se lembre sempre de analisar o contexto, o contido e a forma de qualquer obra, que nom esqueçam nengum destes três elementos e mais a ligaçom entre eles. Entom, cal é a forma desta obra? O fio condutor é umha serie de Tiktok de divulgaçom matemática dumha rapaza adolescente à que atacam constantemente os filhos sans do patriarcado. Polo médio, diversas escenas circenses que criam umha atmosfera liminar onírica. Estas escenas nom se introduzem de forma abrupta, a dramaturgia é circense‑teatral, e nom teatral com elementos circenses. Nom estamos pois perante umha estética conservadora que promova caixons estancos entre disciplinas, entre artes, entre géneros.
Esta estética guarda relaçom ademais co conceito dos conjuntos clopen, o que lhe dá nome à obra e que se trata no último capítulo. Um conjunto clopen é um conjunto que é pechado (closed) e aberto (open) ao mesmo tempo. Por exemplo, este é o caso do conjunto dos números reais, é aberto porque tem infinitos números, mas pechado porque deixa fora os números complexos. É lógica pois a relaçom entre isto e o gato de Schrödinger, um gato vivo e morto ao mesmo tempo, e também claro coas fronteiras. Assim, a topologia relaciona-se cumha rotura das fronteiras artísticas, assim como coa geografia política e cumha crítica ao discurso fascista antimigratório.
Há outra fronteira que se esvaece nesta obra. É raro que eu coincida no teatro cum público infantil. Diferenciamos bastante entre idades nos públicos teatrais habitualmente. Numha obra de teatro «familiar» o público é fundamentalmente composto de crianças e as suas famílias, mentres que numha obra de teatro «sem apelido» adoita haver público case exclusivamente adulto. Em A serie clopen mesturárom-se os públicos e tivo êxito em todos os sectores, ou polo menos isso se via nas reaçons na funçom à que assistim eu. Nas escenas das maravilhosas Pajarito e Marián Bañobre as crianças riam e contestavam-lhes em voz alta, até quando nom perguntavam algo, o que é inusual numha obra «sem apelido». As criaturas queriam comentar e as palhaças reagiam naturalmente. Ao mesmo tempo, essas escenas eram umha paródia do auge do fascismo. Havia mensagens para todas as franjas de idade.
Já além da análise do discurso e a estética da obra, quero parabenizar a versatilidade do elenco. Acrobatas atuando, cirqueires cantando e até a atriz protagonista, Inés Santos (que fixo umha interpretaçom maravilhosa), voou polos aires no final da obra. Isto somado à dramaturgia, a iluminaçom e a banda sonora, entre outros elementos, explicam o êxito da obra. Havia tempo que nom via umha reaçom tam exitosa ao remate no público.
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